segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Grécia e a regressão capitalista



Altamiro Borges

A Grécia é atualmente o laboratório das políticas de choque do capitalismo no enfrentamento à grave crise que atingiu este sistema. Na semana passada, a famigerada troika – que reúne o FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia - apresentou um pacote que prega a ampliação da jornada de trabalho e outras regressões nos direitos trabalhistas. É sempre a mesma receita: na fase da bonança, o capital aumenta os seus lucros; já na crise, ele socializa os prejuízos, jogando o seu ônus nas costas dos trabalhadores.


Pelo projeto da troika, a Grécia terá que ampliar a jornada de trabalho dos atuais cinco para seis dias por semana e reduzir as pensões e aposentadorias. Do contrário, segundo o jornal Valor, o país não receberá a segunda parcela, de 31 bilhões de euros, para saldar as suas dívidas com os banqueiros. O próprio jornal, destinado à elite empresarial, afirma que estas imposições “podem aumentar ainda mais o desemprego no país, que chega a 23,1% da população economicamente ativa e a quase 55% dos jovens menores de 25 anos”.

Mas o capital pouco se importa com o destino dos trabalhadores. Em toda a Europa, o desemprego bate recordes. Em julho passado, a zona do euro registrou 18 milhões de desempregados, o maior número desde a criação do bloco em 1999. A taxa de desemprego já é 11,3%. Em julho de 2011, o percentual era de 10,1%. Desde então, mais de 2 milhões de pessoas perderam seus postos de trabalho no bloco econômico. As maiores vítimas são os jovens. Em julho, o índice de desemprego na juventude atingiu 22,6% na zona do euro.

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